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Pastoral Vocacional

domingo, 23 de dezembro de 2012

Entrevista: “Nós, missionários, temos rodas nos pés e asas para voar”

Foram quase sete anos dedicados à ação pastoral de nossa Paróquia. Agora, chamada a uma nova missão no Piauí, Irmã Nora Tavares nos deixa com um profundo sentimento de gratidão. Esta mineira de sorriso largo incorporou bem a máxima de Santa Francisca Xavier Cabrini, fundadora de sua Congregação – “desprendei-vos, criai asas...” – e vê, no novo desafio, terra fértil para a evangelização. Ela, que muito jovem ingressou na vida religiosa, já completou 43 anos de votos perpétuos. “Mas nem parece. Sinto-me ainda como aquela jovem que acabou de abraçar a missão!”, afirma Irmã Nora. Confira a entrevista que a religiosa concedeu à equipe d’O Mensageiro:

O Mensageiro: Irmã Nora, como foi o chamado para a vida religiosa?
Irmã Nora: Foi um mistério. Eu entrei para a congregação das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus ainda muito novinha, só com 15 para 16 anos, e ainda não compreendia muito o que era o chamado. Nessa época, uma prima que entrou antes de mim foi como um incentivo para eu também ter a coragem de entrar na congregação. A minha mãe foi uma grande incentivadora. Ela dizia: “Vá, minha filha; mesmo que você não seja irmã, vai ter uma boa formação”. Eu dizia: “Não, não quero, porque vai me exigir muito desapego para deixar a senhora, meus irmãos, papai...” Mas decidi entrar. Interessante que Deus se serviu da minha prima para eu abraçar a vida religiosa e poucos anos depois ela saiu e eu continuei. Depois é que eu fui compreendendo o que era vocação, passando por muitas crises também, porque antes eu ignorava muitas coisas da vida no mundo. Depois é que eu fui descobrindo que de fato o Senhor foi quem me chamou e continua a chamar através dos discernimentos, das orações, dos retiros...

E como foi a sua trajetória vocacional desde a sua consagração?
Eu nasci em Bom Despacho, uma cidade de Minas Gerais (que tem como padroeira Nossa Senhora do Bom Despacho). Lá as Irmãs me buscaram e eu entrei na congregação das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus numa comunidade que nós tínhamos em Vassouras, no estado do Rio de Janeiro. Ali permaneci pouco mais de um ano e fui para São Paulo, onde fiz o Postulantado e o Noviciado, que são etapas de formação para a vida religiosa. Depois do Noviciado eu retornei para Vassouras. Ali como Juniorista (Juniorato é outra etapa de quem ainda não tem votos perpétuos), passei alguns anos, onde terminei o curso Normal (ou Magistério). Concluído o curso, fui para o Paraná, onde vivi quatro anos trabalhando numa paróquia do interior chamada Salto do Lontra. Do Paraná eu fui para o Rio, onde comecei o processo de vestibular e depois pra São Paulo, onde fiz a faculdade de Psicologia durante cinco anos atendendo também como superiora uma comunidade do colégio ‘Boni Consilii’, com responsabilidades bastante fortes para mim, que ainda era muito jovem. Depois eu voltei a Minas Gerais, onde eu fiquei quatro anos em Patos de Minas, trabalhando na ação pastoral de uma paróquia. De lá retornei a São Paulo mais um pouco e em seguida fui para Rio Pomba como superiora de outro colégio em Minas Gerais, onde permaneci mais três anos e depois Riacho dos Machados, no norte de Minas, e depois mais um ano em São Paulo, como responsável por uma comunidade de repouso de irmãs idosas. Depois fui para Portugal, onde vivi cinco anos e meio prestando um serviço numa paróquia, na cidade de Évora no Alentejo. No retorno de Portugal passei por São Paulo, na Casa Provincial, de onde fui para o Rio fazer uma formação para lideranças. Depois fui para o Maranhão, onde eu vivi três anos. Saindo de lá é que vim para Fortaleza, onde bati recorde de tempo. Nunca fiquei tanto tempo numa missão como aqui. Em fevereiro eu completaria sete anos.

E como foi esse trabalho aqui na Paróquia da Glória?
Foi um tempo muito rico tanto para a minha formação pessoal quanto para a missão. Aqui na Paróquia da Glória um trabalho muito gratificante é orientação às famílias e casais, que eu faço junto com o José Roberto, além do aconselhamento individual. E depois o trabalho com a Promoção Humana, pois eu tenho uma atração muito grande aos carentes. Além disso, nesses anos todos em que estou aqui houve vários momentos que a Paróquia solicitou trabalhos na ação pastoral, na assessoria de alguns temas, nas formações etc. Quanto ao trabalho na Pastoral Vocacional, digo que não estou saindo satisfeita, pois não consegui desenvolver da forma como acho que deveria ser. Mas terei outras oportunidades. Outra coisa que eu gosto muito é o atendimento na secretaria, aos domingos. Sinto que estou sendo um instrumento de Deus para os irmãos que ali chegam.

E o trabalho na comunidade do Cambeba?
Na comunidade do Cambeba, que é a comunidade mais novinha que nós temos, nós começamos a trabalhar há dois anos e meio. Por iniciativa do Edvaldo [Nunes] e minha, com a bênção do padre Francisco, fomos visitando, reunindo as pessoas semanalmente para rezar o terço, fazer o estudo bíblico, leitura orante e terapias comunitárias. Depois veio a Celebração da Palavra, que resumiu tudo. Foi um bom começo, como que um pontapé inicial para a comunidade que está se formando. Tenho um carinho muito grande por essa Comunidade. Ali a gente tentou repassar um pouco do que é a caminhada do povo de Deus.

E como será a nova missão?
Estou indo para Oeiras, no Piauí, onde vou morar com outras duas irmãs. Lá vou trabalhar na formação das lideranças, nas pastorais, residindo na Paróquia Nossa Senhora da Vitória. Além da periferia, vamos trabalhar na área rural de Oeiras, onde temos uma média de 56 comunidades entre povoados. São comunidades muito carentes. É bastante desafiador, mas é uma alegria voltar ao meio rural, que é o meu habitat por natureza, de origem.

Como a senhora se sente neste momento?
Vou levando muita alegria, muita gratidão pelo que eu tenho recebido da parte de todos, no sentido de me proporcionar esse crescimento missionário e vocacional. Nós, missionários, não pertencemos a uma terra só. Nós não temos raízes; temos rodas nos pés e asas pra voar, como disse Santa Cabrini: “desprendei-vos, criei asas”. Então para nós é um desafio constante de desapego e de gratuidade, porque a gente vive longe da família. É um constante desprender-se e acreditar no chamado, para viver a nossa missão vocacional missionária.

E que mensagem a senhora deixaria à nossa comunidade?
Eu sinto muita gratidão por todo o tempo em que pude estar aqui. E desejo que a Paróquia continue a “explodir” no sentido positivo, a expandir nas pastorais, movimentos e serviços, e também na qualidade de vida, nessa “unidade na diversidade”, para que o Reino de Deus se dilate. E também quero desejar um Feliz Natal. Que o Natal seja um contínuo acontecimento na nossa vida; que deixemos nascer esse Deus Menino dentro da gente para podermos repassá-lo Adulto, na sua maturidade, no seu compromisso com o Reino, com a Redenção e a Salvação da humanidade.

 
Fonte: O Mensageiro da Glória - edição Nov/Dez de 2012
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